Patuá
O colar ganha vida e voz, e é ele quem narra a jornada.
Um colar sagrado atravessa a cidade e diferentes mãos até chegar àquele a quem foi prometido — e conta, em primeira pessoa, a travessia.

A premissa
Quem narra não é gente
Um patuá — colar de caráter sagrado, ligado a práticas religiosas de matriz afro-brasileira — é preparado num terreiro de subúrbio dedicado ao culto de Nanã Buruquê. A partir dali começa um percurso que não se revela de imediato: o colar tem um destino a cumprir, e vai cumpri-lo.
O colar tem consciência simbólica e não interfere: testemunha. É ele quem atravessa — os outros passam. Passa por trabalhadores informais, frequentadores de bar, moradores de regiões populares. É trocado, perdido, reencontrado. Cada passagem abre um fragmento de vida urbana — trabalho, sobrevivência, sociabilidade — enquanto ele permanece como presença constante e silenciosa.
O patuá acumula as experiências de quem o carrega. É esse acúmulo, e não um protagonista, que costura o filme.

Sinopse
O corpo que atravessa
Paralelamente ao percurso do objeto, corre a história de um homem branco, de classe média, que, caminhando pela Tijuca, encontra por acaso um conhecido e é convidado a visitar um terreiro em celebração. Movido por curiosidade, aceita, e se desloca até uma área periférica da cidade.
Ao chegar, se depara com um ambiente que lhe é completamente estranho. Percebe de imediato sua condição de corpo deslocado, atravessado por olhares e por uma sensação de não pertencimento. Ainda assim, permanece. Ao sair para comprar bebidas num estabelecimento próximo, vive uma situação de tensão ao se perceber como o único indivíduo fora do contexto social predominante — e adota uma postura inesperada que altera a dinâmica ao seu redor, atenuando o estranhamento inicial.
De volta ao terreiro, durante um rito conduzido pelo líder religioso, é anunciado que Moacyr receberá um colar. Não lhe são revelados o momento, a forma nem o agente da entrega. O filme sustenta esse enigma como motor: percorre o tempo e as circunstâncias que culminam no aparecimento do patuá — e, mesmo depois do encontro, deixa a natureza do objeto em aberto.
O que o filme investiga
Sincretismo, preconceito e o subúrbio carioca
É disso que o filme trata. Ao adotar a perspectiva do patuá, ele assume um ponto de vista incomum — nem de dentro, nem de fora, mas atravessando —, e é isso que permite encarar raça, classe e fé sem transformá-las em tese.
Sincretismo
O terreiro de Nanã Buruquê não é cenário: é a origem do objeto e a lógica que rege seu percurso. O sagrado aqui não está separado do cotidiano — está dentro dele.
Preconceito
Quem pode entrar onde, quem é olhado como estranho, quem é olhado como ameaça. O objeto passa por mãos que a cidade trata de maneiras muito diferentes.
O subúrbio carioca
Entre bairros centrais e regiões suburbanas, a cidade organiza quem encontra quem. O percurso do colar atravessa fronteiras que as pessoas raramente cruzam.
Proposta de direção
Realismo observacional, narração concreta
A narração do patuá é direta e concreta — nada de lirismo explicativo. A estética visual privilegia a observação dos espaços e das pessoas do Rio, com atenção particular ao subúrbio. A montagem é o lugar onde as trajetórias humanas se conectam através do objeto.
Quatro obras orientam o tom e a estrutura do filme — cada uma por um motivo distinto.
- O Amuleto de Ogum Nelson Pereira dos Santos · 1974 A linhagem brasileira: um objeto de proteção de matriz afro-brasileira tratado como cultura viva, na periferia do Rio, sem folclore e sem exotismo.
- Au Hasard Balthazar Robert Bresson · 1966 O princípio de estrutura: uma testemunha que atravessa donos sucessivos, acumula o que vê e não interfere no que acontece.
- O Violino Vermelho François Girard · 1998 A narrativa costurada pelo próprio objeto: episódios que atravessam mãos e territórios e que só ele conecta.
- Atlântico Mati Diop · 2019 A aposta central: o sagrado tratado como literalmente real dentro de um filme realista, sem nenhuma marca de fantástico — a mesma luz, a mesma câmera, o mesmo mundo.
Narração
A voz do patuá é de Moacyr Luz
Quem narra o filme, em primeira pessoa, é o objeto — e o objeto fala com a voz do sambista Moacyr Luz. É uma escolha de timbre e de repertório: a mesma voz que canta o Rio há décadas conduz a travessia do colar pelo subúrbio.
Moacyr Luz também assina a supervisão de roteiro. A semente da história partiu de uma experiência que ele viveu e cedeu ao projeto, formalizada em termo de autorização com memorial descritivo — que assegura à produtora plena liberdade de adaptação e recriação ficcional. O filme é ficção, e não biografia.

Estágio do projeto
O que já está firmado
- Argumento registrado Concluído Fundação Biblioteca Nacional, Escritório de Direitos Autorais — registro nº 966.043, livro 1.887, folha 292. Autoria de Beatriz Bergallo.
- Direitos sobre a narrativa-base Concluído Termo de autorização e cessão firmado com Moacyr Luz, com memorial descritivo integrante.
- Equipe principal Definida Direção, direção de fotografia, direção de arte e produção executiva já atribuídas.
- Roteiro Em desenvolvimento Escrita a partir do argumento registrado, com supervisão de Moacyr Luz e consultoria especializada em Umbanda, história e representação cultural.
- Captação Em curso Inscrições em editais públicos de fomento em andamento, em paralelo à busca por patrocínio, coprodução e investimento privado. As vias de entrada estão detalhadas mais abaixo.
Ficha técnica
Quem faz
- Argumento
- Beatriz Bergallo
- Roteiro
- Elir
- Direção
- Elir
- Fotografia
- Elir
- Direção de arte
- Luca Barata
- Narração
- Moacyr Luz — voz do patuá
- Supervisão de roteiro
- Moacyr Luz
- Montagem e som
- Mutante Produções
- Produção
- Beatriz Bergallo
- Produção executiva
- Kukuta Studio
- Elir Direção, roteiro e fotografia Começou na música e migrou para o audiovisual. Dirigiu dezenas de videoclipes, documentários e especiais musicais, entre eles África no Horizonte, realizado no Senegal, e as séries documentais Música Para Ver e Highway. Seu primeiro longa, Lonely People, venceu como Melhor Filme na escolha do público no FICC 2025.
- Beatriz Bergallo Argumento e produção Carioca, bacharel em Artes Cênicas, mais de 20 anos no audiovisual. Dirigiu e produziu documentários, mais de 50 videoclipes e especiais musicais — entre eles o Especial Música Para Ver, com Moacyr Luz. Idealizou e apresentou as séries Música Para Ver e Highway — Manual Prático de Sobrevivência na Estrada. Passou mais de dez anos em projetos sociais no Complexo da Maré, ensinando cinema e artes. Escreveu o argumento e atuou em Lonely People.
- Kukuta Studio Produção executiva Produtora carioca, em Copacabana. Realizou Lonely People (2025), que estreou no circuito RioFilme, nos cinemas Estação NET Rio e Cine Santa Teresa, e venceu Melhor Longa pela escolha do público no FICC.
Viabilização
Vias de entrada e cronograma
As vias de entrada não são excludentes: leis de incentivo, editais públicos, coprodução e aporte direto. O orçamento estimado, distribuído por etapa, está em anexo de acesso restrito.
Orçamento detalhado — acesso restrito. A distribuição do orçamento por etapa e o valor total do projeto estão em anexo protegido por senha. Abrir anexo de orçamento →
| Etapa | Duração |
|---|---|
| Desenvolvimento | 6 meses |
| Pré-produção | 3 meses |
| Filmagem | 20–25 diárias |
| Pós-produção | 5 meses |
Circulação
Público e distribuição
O filme se dirige ao público adulto interessado em cinema brasileiro contemporâneo, aos festivais, aos circuitos culturais e às plataformas de streaming.
A estratégia prevê circulação inicial em festivais nacionais e internacionais, seguida de lançamento em salas de circuito autoral no Brasil e posterior distribuição em plataformas digitais.
Contato
Para conversar sobre o projeto
O dossiê completo, o argumento registrado e o orçamento detalhado são enviados sob demanda.
Fale com a produção
- E-mailkukutastudio@gmail.com
- Telefone+55 21 99708-0828
- Instagram@kukutastudio
- OndeCopacabana, Rio de Janeiro, Brasil
Patuá · Kukuta Studio — material de apresentação para captação de recursos. Argumento registrado na Fundação Biblioteca Nacional sob nº 966.043.