MOSTRA

Projeto · Fomento à realização de mostras e festivais

Palafita

Mostra Competitiva de Cinema Independente · 1ª edição · Rio de Janeiro

Proponente
Beatriz Stalla de Bergallo LTDA — Kukuta Studio
Segmento
Audiovisual — exibição, difusão e formação · ficção em imagem real
Sede da 1ª edição
Complexo da Maré, Rio de Janeiro — RJ
Período
8 a 12 de setembro de 2027 · 5 dias
Competição
Duas, separadas só por duração — curtas e longas, sem recorte de nacionalidade
Obras exibidas
22 a 31, de todo o mundo
Acesso do público
Gratuito em todas as atividades
Público estimado
2.500 espectadores em 12 sessões

1Apresentação

Palafita é uma mostra competitiva internacional dedicada à ficção independente de baixo custo, em imagem real. Programa filmes feitos com recursos próprios ou fomento de pequeno porte, fora do circuito comercial, em duas competições separadas apenas por duração — curtas e longas —, ambas abertas a obras de qualquer país. Não existe competição nacional e competição internacional: um filme brasileiro e um filme estrangeiro disputam o mesmo prêmio, na mesma lista. Julga-se o filme, não a nacionalidade.

São cinco dias de sessões gratuitas ao público, debate com os realizadores ao fim de cada programa, atividades de formação e premiação decidida por três júris — oficial, popular e jovem. A 1ª edição acontece no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, de 8 a 12 de setembro de 2027.

A Maré foi construída sobre estacas fincadas na água, por gente que não tinha onde morar. Chamavam-se palafitas. Cinema independente é a mesma coisa feita com imagem: obra erguida sobre estaca própria, em terreno que ninguém concedeu.

É de onde vem o nome. Um filme independente nasce assim: sai do bolso de quem faz, com equipamento emprestado e gente que topa ajudar. Fica pronto — e não tem onde passar.

A mostra existe para ser esse lugar.

2Justificativa

O cinema independente de baixo orçamento é hoje a maior parte da produção audiovisual em número de obras e a menor parte em exibição. Filmes são concluídos com recursos próprios, circulam por dois ou três festivais e desaparecem — quando chegam a circular.

Entre o filme pronto e a tela existem duas barreiras, e nenhuma delas é artística.

A primeira é econômica. O circuito internacional de festivais funciona sobre taxas de inscrição. Uma trajetória modesta de vinte inscrições custa ao realizador mais do que muitos desses filmes custaram para ser feitos. Quem produziu com o próprio dinheiro raramente tem orçamento de circulação, e o filme morre na gaveta por falta de taxa, não por falta de qualidade.

A segunda é técnica. Boa parte dos festivais exige cópia em DCP e recursos de acessibilidade gravados no arquivo. A masterização de um DCP com recursos de acessibilidade gravados custa, com frequência, mais que a produção inteira de um filme de baixo custo. É uma barreira invisível que seleciona por orçamento antes que qualquer curador veja a obra.

Palafita trata as duas de frente. A barreira técnica é eliminada: a projeção é digital, a partir de arquivo, e a mostra não exige DCP de ninguém. Os recursos de acessibilidade das obras selecionadas são produzidos e custeados pela própria mostra, não cobrados do realizador.

A barreira econômica é atenuada por duas decisões. A taxa de inscrição é única para todos os realizadores, de qualquer país, e fixada abaixo da média do circuito internacional. E o regulamento prevê isenção mediante justificativa, analisada caso a caso pela organização, para quem não puder pagar. A mostra não finge que a taxa não existe — ela é parte do que sustenta a operação — mas garante que nenhum filme fique de fora por falta dela.

A terceira decisão é curatorial e é a que define a mostra: não há competição por nacionalidade. A divisão do circuito entre mostra nacional e mostra internacional organiza o julgamento por origem, e não por obra — separa antes de comparar, e acaba premiando dois filmes por razões diferentes. Palafita separa apenas o que a exibição obriga a separar, que é a duração: uma competição de curtas e uma de longas, ambas abertas ao mundo inteiro, cada uma com uma lista só.

A mostra é dedicada à ficção em imagem real. O recorte não é de tema nem de estilo — é de natureza da obra: interessa o filme que inventa uma história e a encena com atores diante da câmera. Ficam fora documentário, docuficção e demais formas híbridas, animação, videoclipe, videodança, registro e obras construídas a partir de material de arquivo ou found footage. O uso pontual de arquivo dentro de uma obra encenada não desclassifica. Essa delimitação dá à curadoria um objeto comparável e ao público uma expectativa clara, e é o que permite que tudo o mais fique aberto. Dentro dela não há categoria de consolação nem prêmio separado para quem teve menos recursos. A pergunta que a mostra faz a cada obra é uma só: este é o melhor trabalho?

A 1ª edição acontece no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde a equipe organizadora atua há mais de dez anos e onde não existe sala de cinema. A escolha da sede é operacional e afetiva, não programática: é onde a mostra tem condições de ser feita bem na primeira vez, e onde a competição encontra um público que não tem outra tela por perto.

3Objetivos

Objetivo geral

Realizar uma mostra competitiva internacional de ficção independente de baixo custo, gratuita ao público e sem barreiras técnicas de inscrição, em que obras de qualquer procedência, tema e estilo concorram em duas competições separadas apenas por duração.

Objetivos específicos

  1. Exibir de 22 a 31 obras de todo o mundo em cinco dias de programação gratuita, com debate após cada programa competitivo.
  2. Constituir duas competições de ficção separadas apenas por duração, curtas e longas, ambas sem recorte de nacionalidade, tema ou estilo, com comissão de seleção pública e critérios curatoriais publicados antes da abertura das inscrições.
  3. Eliminar a barreira técnica de entrada, exibindo exclusivamente a partir de arquivo digital, sem exigência de DCP, e custeando a acessibilidade das obras selecionadas.
  4. Manter a taxa de inscrição abaixo da média do circuito internacional e garantir isenção mediante justificativa, analisada caso a caso, a quem não puder pagar.
  5. Atingir 2.500 espectadores em 12 sessões gratuitas.
  6. Formar 40 participantes por meio de masterclasses, laboratório de projetos e sessão escolar mediada.
  7. Premiar em dinheiro e em troféu, com valores anunciados em regulamento e integralmente pagos.
  8. Exibir todas as obras com legendagem descritiva aberta e oferecer interpretação em Libras ao vivo nas sessões principais, nos debates e nas atividades de formação.
  9. Publicar relatório final com indicadores verificáveis em até 60 dias do encerramento, estabelecendo a base para a continuidade da mostra.

4Público-alvo

Público de cinema. Espectadores de cinema contemporâneo do Rio de Janeiro, atraídos pela competição, pelos debates e pelo acesso gratuito a obras que não chegam ao circuito comercial.

Público do entorno da sede. Moradores do Complexo da Maré e da Zona Norte do Rio, para quem a mostra é, em muitos casos, a única programação de cinema em sala ao alcance.

Realizadores e profissionais. Diretores, produtores, curadores e programadores do Brasil e do exterior, participantes da competição, do laboratório de projetos e das atividades de formação.

Estudantes. Turmas da rede pública e estudantes de cinema, atendidos na sessão matinal mediada e no Júri Jovem.

5Formato e programação

5.1As duas competições

A mostra tem duas competições de ficção, separadas apenas pelo que a exibição obriga a separar: a duração. Não há mostra nacional e mostra internacional, nem recorte por tema, estilo ou trajetória. Cada competição tem uma lista só, aberta ao mundo inteiro.

Composição da 1ª edição
BlocoRegimeElegibilidadeObras
Competição CurtasCompetitiva, inscrição abertaFicções em imagem real, de qualquer país, até 30 minutos exatos, concluídas a partir de janeiro de 202618–24
Competição LongasCompetitiva, inscrição abertaFicções em imagem real, de qualquer país, a partir de 60 minutos, concluídas a partir de janeiro de 20263–5
Abertura e homenagemFora de competiçãoUm longa e homenagem a realizador ou realizadora1–2
Total de obras exibidas22–31

As duas competições somam entre 600 e 800 minutos de programação — volume dimensionado para permitir conferência de cópia, produção de acessibilidade e qualidade técnica de projeção em todas as sessões. Médias-metragens não são aceitos: obras entre 30 e 60 minutos ficam fora das duas competições. A regra é de grade, não de mérito — um média não fecha um programa de curtas nem sustenta uma sessão de longa, e admiti-lo obrigaria a comissão a arbitrar caso a caso o que o regulamento deve responder de saída. Obras acima de 120 minutos são avaliadas quanto à viabilidade de exibição, sem prejuízo da análise curatorial.

5.2Critérios de curadoria

A mostra recebe exclusivamente obras de ficção em imagem real, encenadas para o filme. Não concorrem documentário, docuficção, animação, videoclipe, videodança, registro nem obras construídas a partir de material de arquivo ou found footage. Dentro desse recorte não há gargalo de tema, de estilo, de procedência ou de trajetória da equipe — a duração serve apenas para dizer em qual das duas competições a obra entra, nunca para hierarquizá-la. As condições de entrada são a natureza da obra, sua data de conclusão e a titularidade dos direitos.

  • Autoria independente. Obras produzidas fora do circuito industrial, com meios próprios, coletivos ou fomento de pequeno porte.
  • Invenção diante da limitação. Interessa o filme que transforma a escassez de recursos em decisão de linguagem, e não o que a disfarça.
  • Liberdade dentro da ficção. Nenhum tema, estilo ou registro é privilegiado, e obras de gênero — terror, comédia, policial, fantástico — são lidas com o mesmo critério de qualquer outra. A curadoria julga a obra, não a etiqueta.
  • Sem exigência de trajetória. Primeira obra e obra de realizador com carreira concorrem em igualdade, sem peso de currículo de festival.

5.3Grade dos cinco dias

8 a 12 de setembro de 2027 · quarta a domingo
DiaManhãTardeNoite
Qua 08—Credenciamento e encontro com a imprensaAbertura: longa e homenagem
Qui 09Sessão matinal mediada para escolasMasterclass 1Competição · Programa 1 · curtas e debate
Sex 10Laboratório de projetos · dia 1Competição · Programa 2 · longa e debateCompetição · Programa 3 · curtas e debate
Sáb 11Laboratório de projetos · dia 2Competição · Programa 4 · longa e debateSessão ao ar livre · Competição · Programa 5 · curtas
Dom 12Masterclass 2Competição · Programa 6 · longa e debatePremiação e sessão dos vencedores

Os programas de curtas reúnem de 6 a 8 obras, entre 85 e 95 minutos. Os programas de longa exibem uma obra. Todos são seguidos de 20 minutos de debate mediado com os realizadores presentes. O debate é parte constitutiva do formato: é o que distingue uma mostra de uma sessão de exibição.

5.4Sedes

  • Sala fechada — sede principal, com controle de luz e som, onde acontecem as sessões competitivas e a cerimônia de premiação.
  • Projeção ao ar livre — uma noite em espaço aberto, com entrada por onde o público já circula, ampliando o alcance para além do frequentador habitual de equipamento cultural.

A sessão ao ar livre conta com plano alternativo em espaço coberto, acionado por protocolo escrito em caso de chuva, com responsável designado e canal de comunicação ao público previamente divulgado.

5.5Atividades de formação

  • Duas masterclasses abertas e gratuitas, com realizadores convidados da programação.
  • Laboratório de projetos em dois dias, com orientação individual a projetos em desenvolvimento, priorizando produção de baixo orçamento.
  • Sessão escolar mediada, articulada com escolas da rede pública, com material preparado junto aos professores.
  • Preparação do Júri Jovem, com encontros de formação em análise fílmica e critérios de julgamento anteriores à mostra.

6Metodologia de execução

6.1Inscrição das obras

As inscrições permanecem abertas por 76 dias, de 1º de abril a 15 de junho de 2027, e são recebidas exclusivamente pela plataforma FilmFreeway, em canal único para realizadores de todos os países. A plataforma concentra a busca do realizador no circuito internacional, resolve a cobrança em moeda estrangeira e mantém uma base única de inscrições, sem consolidação manual entre canais.

A taxa de inscrição é a mesma para todos — brasileiros e estrangeiros, curtas e longas —, coerentemente com a decisão de não organizar a competição por nacionalidade. É escalonada por período, recompensando quem se inscreve cedo e distribuindo a carga de curadoria ao longo dos 76 dias.

Taxas de inscrição · em dólar norte-americano
PeríodoModalidadeTaxa
01/04 – 30/04Inscrição antecipadaUS$ 9
01/05 – 31/05Inscrição regularUS$ 14
01/06 – 15/06Inscrição finalUS$ 19
qualquer períodoIsenção mediante justificativa, analisada caso a casoisento

Os valores são fixados abaixo da média praticada pelo circuito internacional de festivais de porte equivalente, decisão coerente com uma mostra dedicada à produção de baixo orçamento. A taxa constitui receita própria do projeto, reduzindo a dependência de recurso público, e opera como filtro de intencionalidade: em chamadas inteiramente gratuitas, o volume de inscrições dispersas onera a curadoria sem ganho de qualidade.

Política de isenção

Qualquer realizador pode solicitar isenção integral da taxa, em formulário próprio publicado no site da mostra. O regulamento lista as situações que fundamentam o pedido, sem que a lista seja exaustiva: o realizador que não se reconhece em nenhum dos itens pode apresentar outra justificativa, analisada nos mesmos termos.

Situações que fundamentam o pedido de isenção
SituaçãoComprovação exigida
Obra realizada integralmente com recursos próprios, sem aporte público ou privado de qualquer naturezaDeclaração do realizador
Obra realizada por coletivo sem CNPJ ou produtora vinculadaDeclaração do realizador
Realizador residente em país classificado pelo Banco Mundial como de renda baixa ou média-baixaNenhuma — país declarado no cadastro
Realizador residente em país em conflito armado, sob sanção internacional ou em crise humanitária reconhecidaNenhuma — país declarado no cadastro
Realizador em situação de refúgio, asilo ou deslocamento forçadoDeclaração do realizador
Estudante com matrícula ativa em curso de qualquer nívelDeclaração; comprovante de matrícula opcional
Primeira obra do realizador na função de direçãoDeclaração do realizador
Realizador brasileiro inscrito no CadÚnicoNúmero de Identificação Social (NIS)
Outra justificativa apresentada pelo realizadorAnálise caso a caso pela organização

A ordem dos itens não é acidental: a primeira situação — obra feita inteiramente com recurso próprio — descreve boa parte do cinema que a mostra existe para exibir, e é por ela que a política começa. O último item tem o mesmo peso dos demais e é dito com as mesmas palavras no formulário, para que a lista não seja lida como fechada.

A regra é a declaração de próprio punho, não o documento. Comprovação de renda não é verificável entre dezenas de países, cria para a equipe um trabalho de conferência que ela não tem como sustentar e exclui exatamente quem a mostra quer alcançar — o realizador sem produtora, sem contabilidade e, em muitos casos, sem meio de efetuar um pagamento internacional. Documento só é pedido onde é trivial e local: matrícula estudantil e NIS, e ainda assim como anexo opcional. A declaração falsa é de responsabilidade de quem a assina e implica desclassificação da obra, o que consta do regulamento.

Operacionalmente, a isenção é concedida por código de isenção da própria plataforma: o realizador preenche o formulário no site da mostra, a organização analisa e responde com um código de uso único que zera a taxa na inscrição. O prazo de resposta é de até dez dias, e os pedidos são recebidos até cinco dias antes do encerramento de cada faixa de preço, de modo que a análise não empurre o realizador para uma faixa mais cara. Nenhuma solicitação fica sem resposta.

Nesta primeira edição não há teto de isenções. Um teto criaria corrida por vaga e obrigaria a organização a recusar pedidos legítimos por esgotamento de cota, o que contradiz a política. O número de isenções concedidas é registrado e consta do relatório final, como base para calibrar a segunda edição; a projeção de receita abaixo já supõe cerca de 15% de inscrições isentas.

A projeção de receita própria das inscrições, com a estimativa líquida após comissão e processamento da plataforma, consta do anexo de orçamento, de acesso restrito.

Cada obra recebe numeração de registro no ato da inscrição e é acompanhada em planilha única de controle, com status de curadoria, de cópia de exibição, de isenção e de termo de autorização assinado. São exigidos link permanente de visualização, sinopse, ficha técnica, minibiografia da direção, duas imagens em alta resolução e trecho de até três minutos para divulgação.

6.2Curadoria

A comissão de seleção é composta por três profissionais remunerados, com nomes e minibiografias publicados antes da abertura das inscrições, ao lado dos critérios curatoriais. Reúne um realizador ou curador de atuação nacional, um crítico ou pesquisador de cinema e um programador com trajetória em festivais internacionais.

A comissão julga cada obra por sua realização integral — o que a obra se propõe e o quanto entrega — sem consideração de país de origem, orçamento declarado ou trajetória do realizador. Origem e ficha técnica constam do cadastro da obra, mas não entram como critério: a seleção compara filmes, não nacionalidades. O procedimento é registrado em ata. A decisão da comissão é soberana e irrecorrível, e todos os inscritos, selecionados e não selecionados, recebem comunicação do resultado na data publicada no regulamento.

6.3Júris e premiação

A premiação é decidida por três júris de naturezas distintas, o que distribui a legitimidade do julgamento entre o campo profissional, o público e a juventude. Ao Júri Oficial cabem, além dos prêmios principais, as quatro categorias artísticas e técnicas.

  • Júri Oficial — três integrantes remunerados, distintos da comissão de seleção, com deliberação registrada em ata.
  • Júri Popular — votação por formulário no site da mostra, aberto ao fim de cada sessão competitiva e acessível por QR Code impresso no ingresso, na programação e em placa na saída da sala. O espectador atribui nota de 1 a 5 a cada obra da sessão; a apuração é por média aritmética, com número mínimo de votos por obra para validação. O formulário fecha à meia-noite do dia seguinte à última sessão competitiva, e a equipe mantém tablets no ponto de informação para quem não tiver celular ou dados.
  • Júri Jovem — cinco estudantes, com mediador que conduz a deliberação sem direito a voto.
Grade de prêmios · duas competições
PrêmioConcedido porValor
Grande Prêmio Palafita — Melhor CurtaJúri OficialR$ 5.000
Grande Prêmio Palafita — Melhor LongaJúri OficialR$ 5.000
Prêmio Especial do JúriJúri OficialR$ 2.000
Prêmio do PúblicoJúri PopularR$ 2.000
Prêmio Júri JovemJúri JovemR$ 1.000
Melhor RoteiroJúri Oficialtroféu
Melhor FotografiaJúri Oficialtroféu
Melhor Trilha SonoraJúri Oficialtroféu
Prêmio de InterpretaçãoJúri Oficialtroféu
Menções honrosas, até trêsQualquer júritroféu
Premiação em dinheiroR$ 15.000

Os dois Grandes Prêmios têm o mesmo valor: um longa não vale mais que um curta. Todos os demais prêmios são únicos e abertos às duas competições, o que permite que um curta leve o prêmio do público, o de fotografia ou o de interpretação sobre um longa, e vice-versa. Nenhum prêmio é reservado por país de origem.

Os quatro prêmios de roteiro, fotografia, trilha sonora e interpretação são concedidos em troféu, sem valor em dinheiro. A escolha é deliberada: distribuir o mesmo montante por nove categorias esvaziaria os prêmios principais, enquanto o troféu reconhece publicamente o trabalho de equipe que a premiação por filme costuma apagar — o roteirista, o diretor de fotografia, o compositor e os intérpretes de uma produção de baixo orçamento raramente aparecem no palco de um festival.

O Prêmio de Interpretação não é dividido por gênero: distingue a melhor atuação do conjunto da programação, e nenhum concorrente precisa declarar gênero para ser elegível. O troféu é concedido a um intérprete nomeado, por uma atuação em uma obra.

O troféu é encomendado a artista ou coletivo local, em peça reproduzível na quantidade que a grade exige.

6.4Exibição e especificações técnicas

Toda a projeção é digital, a partir de arquivo, o que permite especificações deliberadamente permissivas: exigir DCP selecionaria por orçamento antes da curadoria, e a mostra existe para não fazer isso.

Formato aceito
Arquivo digital: H.264, H.265 ou MOV
Resolução
1920×1080 ou superior
Áudio
Estéreo, 48 kHz, pico ≤ −3 dBFS
Tamanho máximo
5 GB por curta, 12 GB por longa
Legendas
Cópia sem legenda gravada; diálogos em arquivo .srt separado, em português — preferencial — ou inglês
Acessibilidade
Legendagem descritiva produzida e custeada pela mostra, não exigida do realizador
Entrega
Até 10 de agosto de 2027, com conferência técnica prévia

Toda obra selecionada é exibida mediante termo de autorização assinado pelo detentor dos direitos, obtido antes da divulgação da programação. A mostra fica autorizada a utilizar imagens estáticas e trechos de até três minutos, ou 10% da duração da obra, exclusivamente para divulgação. Não há exibição fora do período do evento sem autorização expressa e por escrito.

7Acessibilidade

A acessibilidade é rubrica orçamentária própria e condição de realização, e duas decisões a organizam. A primeira é que ela é produzida pela mostra e não cobrada do realizador: exigir legendagem descritiva gravada no arquivo transferiria ao filme de baixo orçamento um custo que ele não tem como absorver, e funcionaria como barreira de entrada. A segunda é que ela é aberta e coletiva, sem depender de fone, receptor ou aplicativo — recurso individual exige um parque de equipamentos que a mostra não tem e uma operação de porta que, mal executada, é pior que a ausência.

Legendagem descritiva, em todas as sessões

Todas as obras selecionadas são exibidas com legendagem descritiva aberta, produzida e custeada pela mostra, com identificação de quem fala e descrição dos elementos sonoros relevantes. Por ser aberta, atende o público surdo em 100% das sessões, sem equipamento e sem que ninguém precise se identificar na entrada.

A decisão tem baixo custo marginal: as obras estrangeiras já demandam legendagem em português, e a produção é feita diretamente no padrão descritivo. Nas obras brasileiras, a legendagem é integralmente nova e é o item que a rubrica absorve.

Disso decorre uma exigência técnica que o regulamento explicita: a cópia de exibição é entregue sem legenda gravada na imagem, e os diálogos vêm em arquivo de legenda separado. A mostra precisa da imagem limpa para inserir a própria faixa descritiva — legenda queimada pelo realizador se sobreporia a ela e inviabilizaria a acessibilidade. O arquivo de diálogos é aceito em português, preferencialmente, ou em inglês, e serve de base para a produção da faixa descritiva. A cópia projetada leva uma única faixa de legenda, em português, no padrão descritivo.

Libras, com intérprete presencial

Interpretação em Libras ao vivo, por intérprete posicionado ao lado da tela com iluminação dedicada, nas sessões de abertura e premiação, em ao menos uma sessão competitiva por dia, em todos os debates com realizadores e nas atividades de formação. A opção pelo intérprete presencial, em vez de janela gravada, é técnica e econômica: a janela se produz por obra e encarece na proporção do número de filmes, enquanto o intérprete cobre a sessão inteira e atende também o debate, que é onde a conversa acontece.

Outros recursos

  • Assentos reservados e sinalizados nas sessões com interpretação em Libras, com prioridade para público surdo e acompanhantes.
  • Materiais de divulgação acessíveis: site com contraste e navegação por leitor de tela, catálogo em versão digital acessível e descrição de imagens nas redes sociais.
  • Selo por sessão na programação impressa e no site, indicando com clareza quais recursos estão disponíveis em cada horário.

Acessibilidade arquitetônica e atitudinal

  • Seleção de sedes com acesso sem degraus, sanitário acessível e lugares reservados para cadeirantes e acompanhantes.
  • Sinalização de percurso e ponto de informação com equipe orientada.
  • Formação da equipe de recepção em acolhimento de pessoas com deficiência, realizada antes do evento.

8Acesso e contrapartidas

  • Gratuidade integral para o público. Todas as sessões, debates e atividades de formação são gratuitas e sem retirada antecipada de ingresso, exceto quando a capacidade do espaço exigir controle, caso em que a distribuição é feita no local.
  • Taxa de inscrição abaixo da média do circuito e isenção integral mediante justificativa, analisada caso a caso, com resposta garantida a toda solicitação — para que nenhuma obra fique de fora por falta de taxa.
  • Nenhuma exigência técnica que selecione por orçamento: exibição a partir de arquivo digital, sem DCP, e acessibilidade custeada pela mostra.
  • Horários compatíveis com a rotina de quem trabalha, com sessões noturnas e de fim de semana.
  • Contratação local. Equipe de produção, apoio, recepção, registro fotográfico e fornecedores prioritariamente da região onde a mostra acontece.
  • Formação com certificação. Participantes das oficinas e do laboratório recebem certificado, com valor curricular para quem inicia trajetória profissional.
  • Sessão escolar gratuita para turmas da rede pública, com material de mediação elaborado com os professores.
  • Circulação posterior. Programa itinerante com as obras premiadas, exibido em equipamentos culturais e escolas após a mostra.

9Equipe

9.1Coordenação

Elir Filho — direção geral. Mais de dez anos de atuação em projetos de formação audiovisual, arte e cidadania no Complexo da Maré, com coordenação da Oficina de Audiovisual Maré. Concebeu e realizou, em 2017, a 1ª Mostra Independente de Cinema Latino-Americano.

Bia Bergallo — direção geral. Cineasta, com mais de dez anos de atuação continuada em formação audiovisual na Maré. Coordenou a Oficina de Audiovisual Maré e concebeu e realizou, em 2017, a 1ª Mostra Independente de Cinema Latino-Americano.

Bianca Barbosa — produção executiva. Formada na Oficina de Audiovisual Maré e atriz, protagonista de diversas peças encenadas na Maré. Sua trajetória atravessa o audiovisual e o teatro independentes.

9.2Funções a contratar

  • Coordenação de programação e relacionamento com realizadores
  • Produção técnica e operação de projeção
  • Produção de campo e logística de sede
  • Coordenação de acessibilidade
  • Comunicação, redes sociais e assessoria de imprensa
  • Design gráfico e identidade visual
  • Registro fotográfico e audiovisual
  • Administração e prestação de contas

10Histórico do proponente

A equipe responsável por Palafita atua de forma contínua no Complexo da Maré há mais de dez anos em projetos de formação audiovisual, arte e cidadania. Em 2017 concebeu e realizou a 1ª Mostra Independente de Cinema Latino-Americano, com obras de diferentes países, entrada gratuita, exposição fotográfica e oficina de formação como atividades paralelas, viabilizada por patrocínio captado via Lei de Incentivo à Cultura e integralmente prestada em contas.

Integra a equipe uma profissional formada na própria Oficina de Audiovisual Maré, atriz protagonista de diversas peças encenadas na Maré, hoje responsável pela produção executiva da mostra.

Palafita é um projeto autônomo, com concepção, curadoria e quadro de parceiros próprios, e estreia em 2027 — dez anos depois daquela experiência. O projeto é apresentado por Beatriz Stalla de Bergallo LTDA, nome fantasia Kukuta Studio, que responde pela execução e pela prestação de contas.

Capacidades comprovadas

  • Realização de mostra de cinema com programação latino-americana, entrada gratuita e atividades paralelas de exposição e formação.
  • Captação de patrocínio por mecanismo de incentivo fiscal, com execução e prestação de contas concluídas.
  • Coordenação continuada de programa de formação artística e social por mais de uma década.
  • Articulação com equipamentos culturais, escolas e organizações de base para viabilização de sede e público.

11Cronograma de execução

Da contratação ao relatório final
PeríodoEtapaProduto
Mês 1EstruturaçãoContratação da equipe, definição de sedes com termos de cessão assinados, convite formal à comissão de seleção
Mês 2Identidade e regulamentoIdentidade visual aplicada, site bilíngue publicado, regulamento e critérios curatoriais divulgados com a comissão de seleção
Mês 3Lançamento da chamadaAbertura das inscrições, campanha internacional, cadastro em guias e plataformas do setor
Meses 3 a 5Inscrições abertas · 76 diasBase consolidada de obras inscritas, com numeração e controle de status
Meses 5 a 6CuradoriaAta de seleção, lista de selecionados e suplentes, comunicação a todos os inscritos
Mês 7Pré-produçãoCópias conferidas, termos assinados, acessibilidade e legendagem produzidas, catálogo fechado, convidados confirmados
Mês 8RealizaçãoCinco dias de mostra, 12 sessões, premiação e registro integral
Meses 8 a 9Circulação e encerramentoPrograma itinerante com obras premiadas, relatório final com indicadores e prestação de contas

A realização está prevista para 8 a 12 de setembro de 2027. O período foi escolhido por três razões operacionais: corresponde à estação seca no Rio de Janeiro, da qual depende a sessão ao ar livre; coincide com o ano letivo em curso, condição da sessão escolar e do Júri Jovem; e não concorre com as principais datas do circuito nacional de festivais.

12Orçamento

Orçamento detalhado — acesso restrito. A distribuição por rubrica do valor total do projeto, com os percentuais de cada linha, e a projeção de receita própria das inscrições estão em anexo protegido por senha. Abrir anexo de orçamento →

13Plano de comunicação

Internacional, junto a realizadores

Chamada pública divulgada pela plataforma de inscrição, por guias do setor, redes de festivais, coletivos de audiovisual e escolas de cinema no Brasil e no exterior, em português e inglês, com destaque para a política de isenção, que precisa alcançar quem mais depende dela. Competições abertas a obras de qualquer país, sem cota nacional, tornam o alcance da chamada o item central do plano: é ele que determina o volume e a diversidade das inscrições, e portanto a qualidade da seleção.

No entorno da sede

Cartazes e material impresso em comércios, escolas e equipamentos culturais; divulgação em rádio local e carro de som; grupos de mensagens da região. É a comunicação que determina o comparecimento do público em uma sede sem sala de cinema.

Imprensa e redes

Assessoria de imprensa contratada a partir da divulgação dos selecionados, com foco em veículos de cultura e cinema; site bilíngue com regulamento, programação e catálogo; redes sociais com cobertura do processo, dos bastidores e das sessões, com descrição de imagens.

Registro e memória

Cobertura fotográfica e audiovisual integral da mostra, produzindo o acervo que instrui o relatório final, a prestação de contas e as edições seguintes.

14Resultados esperados

Indicadores verificáveis · 1ª edição
IndicadorMetaMeio de verificação
Obras inscritas400Base de dados de inscrição
Países representados nas inscrições25Base de dados de inscrição
Estados brasileiros representados15Base de dados de inscrição
Solicitações de isenção respondidas100%, em até 10 diasRegistro de isenções e prazos
Obras exibidas26Catálogo e programação
Público total2.500 em 12 sessõesContagem de público por sessão
Sessões com legendagem descritiva100%Grade de programação e relatório técnico
Sessões com Libras ao vivo1 por dia, mais abertura, premiação e debatesGrade e contratos de intérprete
Participantes das atividades de formação40Listas de presença e certificados emitidos
Inserções em imprensa3 veículos nacionaisClipping

Continuidade

A 1ª edição estabelece a base para a periodicidade anual: regulamento testado, rede internacional de realizadores constituída, parceiros consolidados e relatório público que instrui as captações seguintes. As obras premiadas seguem em circulação itinerante por equipamentos culturais e escolas após o encerramento, e a estrutura de formação criada para o Júri Jovem e para o laboratório permanece ativa entre as edições.

Palafita — Mostra Competitiva de Cinema Independente · 1ª edição · Complexo da Maré, Rio de Janeiro. Documento de projeto, setembro de 2026.