PELE

PeleLonga-metragem de ficçãoSuspense-dramaRio de Janeiro
PELE — o muro metálico da via expressa, com vendedores e placas de biscoito, visto de dentro de um carro
● REC CAM 0118:32:14

Do outro lado
do vidro,
um bairro inteiro.

Uma mulher que atravessa a cidade todos os dias sem nunca parar tem o carro quebrado ao lado do muro que separa a via expressa da Maré, e passa algumas horas do outro lado.

Projeto em pré-produção · Apresentação para investidores
Cam 02 · A premissa 18:41:05

Um muro que protege a via. E esconde um bairro.

Donatela vive na Barra da Tijuca e cruza o Rio pelas vias expressas em alta velocidade, como milhares de pessoas fazem diariamente. Numa volta do aeroporto, no pico do trânsito, o carro morre sobre o pontilhão que margeia a comunidade.

Ao lado, um muro metálico instalado para proteger a via também esconde um bairro inteiro. O que começa como uma pane vira uma travessia. São poucas horas, e são suficientes para desmontar aquilo que ela achava saber sobre o lugar que sempre esteve ali, do outro lado do vidro.

O filme se passa entre a Barra da Tijuca e os conjuntos da Vila do João e da Vila Pinheiro, no Complexo da Maré.

Título
PELE
Gênero
Suspense-drama contemporâneo
Formato
Longa-metragem de ficção
Duração estimada
72 minutos
Argumento
Beatriz Stalla de Bergallo
Produção
Kukuta Studio
Locações
Barra da Tijuca · Vila do João e Vila Pinheiro (Maré) · vias expressas do Rio
Estágio
Pré-produção — pesquisa de campo em andamento
Por que “Pele”
É o nome do biscoito vendido nas vias expressas — e também o que reveste o corpo e separa o dentro do fora.
Cam 03 · Por que um suspense 18:57:40

A escolha do gênero é o argumento do filme, não a sua embalagem.

Um rapaz se aproximando de um carro parado no engarrafamento é uma imagem neutra. O que a transforma em ameaça não está na rua: está na câmera.

O medo é uma gramática, e é uma gramática que o cinema brasileiro já aplicou muitas vezes sobre esses mesmos corpos. PELE usa essa gramática com todo o rigor do gênero e depois a desmonta, de modo que o espectador reconheça que o medo era dele.

Um filme que denuncia o preconceito coloca o público do lado certo desde o primeiro minuto — não custa nada e por isso não muda nada. Um suspense faz o público sentir primeiro e descobrir depois de onde veio aquilo que sentiu.

A tensão também muda de objeto ao longo do filme. Enquanto a câmera acompanha apenas a protagonista, a pergunta é “vai acontecer alguma coisa com ela?”. Quando a câmera passa a ver o que ela não vê, a pergunta vira “ela vai cometer uma injustiça?”. A segunda é mais tensa que a primeira, porque o espectador passa a ter informação e a não ter poder.

Não é um filme que denuncia o preconceito. É um filme que o encena no corpo de quem assiste.Nota de direção
  • 01TeleobjetivaComprime a distância e faz o corpo surgir já perto, sem ter caminhado.
  • 02Corpo em pedaçosA mão, o capuz, a sombra, o olho pela fresta. Desumanizar é uma operação de montagem.
  • 03Foco rasoDescola a figura do mundo e a transforma em vulto.
  • 04Som seletivoO ambiente desaparece; sobram o passo, a respiração e o clique da trava da porta.
  • 05Quadro preso ao vidroO para-brisa já é um muro em miniatura.

O antídoto usa exatamente as mesmas ferramentas, invertidas: lente normal, corpo inteiro, rosto, trajeto completo, som ambiente restituído. A virada do filme é feita por decupagem, não por diálogo.

Cam 04 · Um filme sem vilão 19:12:26

Há racionalidades legítimas que, somadas, produzem um resultado injusto.

Morre gente naquelas pistas. O muro reduz mortes e produz isolamento. O trabalho na pista paga melhor que um emprego formal e aumenta o risco de morrer. Não há vilão em lugar nenhum.

Por isso os técnicos que acompanham o trânsito pelos monitores da concessionária não são burocratas insensíveis, mas gente competente e impotente, presa a protocolos que existem justamente para salvar vidas. E por isso os jovens que vendem no engarrafamento não são vítimas à espera de salvação: são trabalhadores que sabem quanto rende cada hora, qual faixa do trânsito compensa e quem compra.

Dar a cada lado a sua força máxima é mais devastador — e mais amplo em público — que ridicularizar qualquer um deles.

Cam 05 · A forma: cinco telas 19:30:03

O filme é construído sobre superfícies que deixam ver e impedem tocar.

  • Tela 01O para-brisa

    Milhares de pessoas atravessam a Maré todos os dias a oitenta por hora. A cidade passa do outro lado de um vidro, e o vidro é fechado exatamente quando o carro desacelera.

  • Tela 02O muro

    Reduz o risco de atropelamento e apaga do campo de visão um bairro inteiro. Quem passa deixa de ver. Quem mora deixa de ser visto. No mesmo gesto, pela mesma boa intenção.

  • Tela 03O monitor

    Numa sala de controle, técnicos veem tudo e não alcançam nada. A imagem de vigilância é alta, larga, sem som e sem rosto — e por isso transforma qualquer corpo em suspeito.

  • Tela 04A televisão

    Do outro lado da cidade, o mesmo lugar chega pronto, enquadrado por outra pessoa, com o som que outra pessoa escolheu. Chega inteiro e chega errado.

  • Tela 05A sua

    Enquanto assiste, o espectador ocupa a posição do técnico na sala de controle: vê tudo, não toca em nada. É a única tela que o filme não controla — e por isso ela fecha a série.

A mesma ação registrada por dois dispositivos diferentes produz dois acontecimentos diferentes, e essa distância é o assunto do filme. O isolamento de um território não é feito só de muros. É feito também das superfícies que aceitamos chamar de janela.

Cam 06 · O método: pesquisa antes da filmagem 19:48:51

Antes de filmar, estamos escutando.

O argumento está escrito. A pesquisa de campo em curso não existe para inventar a história, e sim para submetê-la a quem vive no lugar onde ela se passa.

  • Entrevistas com moradoresConversas com moradores da Vila do João e da Vila Pinheiro sobre o cotidiano, os percursos, o trabalho, o vocabulário, os gestos e o muro: quando ele chegou, o que mudou depois dele, o que ele impede de ver.
  • Conduzidas por quem mora aliUm entrevistador morador coordena esta etapa da produção. Não é um detalhe de método: quem pergunta muda o que se responde. Equipe pequena, equipamento mínimo — um gravador de áudio e uma câmera fotográfica —, e o encontro é uma conversa, não um depoimento.
  • Três produtos objetivosCada cena escrita pode ser corrigida ou derrubada pelo que for ouvido em campo. O material alimenta o vocabulário que filtra todos os diálogos, um caderno de gestos para a preparação de elenco e um dossiê visual e sonoro do muro que orienta arte, fotografia e som.
  • Protocolo ético explícitoAutorização assinada com cópia entregue, direito de retirada a qualquer momento, escolha de identificação por cada participante, e contratação e crédito dos colaboradores locais como qualquer outra função técnica.

O vínculo com o território

A direção do projeto trabalhou dez anos em um projeto social na Maré, ensinando arte, música, cinema, fotografia e cidadania. A coordenação da pesquisa é feita por um morador.

O acesso, os contatos e a confiança não precisam ser construídos do zero: já existem, e há uma década.

Para o investidor

Isso não é apenas ética. É redução de risco: filmes ambientados em territórios populares que erram o gesto, a palavra ou a hora do dia perdem credibilidade diante da crítica, do público e das próprias comunidades retratadas.

A pesquisa é a garantia de que este não é um olhar construído de fora para dentro.

Cam 07 · Quatro princípios de direção 20:05:17
  1. 1Inverter a competênciaNa sequência da pane, quem sabe o que está acontecendo é o menino que vende no trânsito. Ele conhece o horário, o guincho, a oficina, o caminho, o comportamento dos motoristas. Ela não sabe nada. Filmar essa assimetria desmonta o paternalismo sem uma única linha de diálogo.
  2. 2A mercadoria é o passaporteO pacote erguido na mão é o que converte, aos olhos de quem está dentro do carro, um corpo suspeito em um trabalhador. O muro tem aberturas, e o visto para atravessar é uma garrafa de água.
  3. 3A venda não é epifania, é técnicaEla não compra porque venceu o próprio preconceito. Compra porque está com sede e porque ele faz bem o trabalho dele. Interessa a velocidade real com que uma pessoa muda — que é quase nenhuma —, não a redenção fácil de uma tarde.
  4. 4Assimetria de importânciaPara ela, aquele é o dia que mudou tudo. Para ele, é terça-feira, e ela é o carro número quarenta e um. Quando ele segue para o próximo carro sem olhar para trás, os moradores deixam de existir em função da consciência dela.
Cam 08 · Estilo e realização 20:19:44

A virada acontece na lente, no corte e no som — não em palavras.

O filme não tem cena de tomada de consciência explicada em diálogo. A mudança é feita por decupagem, o que é mais forte e envelhece melhor.

  • A ameaça está onde sempre esteveOs sustos do filme são verdadeiros, mas causados pelo trânsito e pela velocidade, nunca por pessoas. O suspense se mantém alto e limpo.
  • Duas imagens, um corteA mesma ação vista de uma câmera de segurança e de uma câmera no chão produz dois acontecimentos diferentes. Um parece crime. O outro é gente empurrando um carro no calor.
  • Som como estruturaO muro alterou a paisagem sonora de quem mora ao lado dele. A pesquisa está registrando esse antes e depois, e o desenho de som nasce desse material, não de biblioteca.
  • Elenco preparado a partir de material realRepertório físico e vocal colhido em campo, não uma ideia nossa sobre como isso deveria ser.
Cam 09 · Estágio atual 20:33:09

Onde o projeto está agora.

O argumento está registrado e a pesquisa de campo em andamento. O roteiro será reescrito a partir do que for ouvido, e as locações estão sendo prospectadas nos dois lados do muro.

EtapaSituação
Argumento e tratamentoConcluídos
Pesquisa de campo com moradoresEm andamento
RoteiroReescrita a partir da pesquisa
LocaçõesProspecção em curso
ElencoA definir
Orçamento e cronogramaEstimados
Cam 10 · Viabilização 20:47:30

Como o projeto se viabiliza.

O projeto está concebido como uma produção de escala enxuta, concentrada na realização do longa, na pesquisa de campo, na pós-produção e na circulação da obra.

Cronograma

Desenvolvimento e pesquisa6 meses
Pré-produção3 meses
Filmagem20–25 diárias
Pós-produção5 meses
Prazo estimado total16–18 meses

Orçamento detalhado — acesso restrito. O valor total do projeto e a distribuição estimada por etapa estão em anexo protegido por senha. Abrir anexo de orçamento →

Cam 11 · Circulação 21:02:18

Público e distribuição.

PELE se dirige ao público adulto interessado em cinema brasileiro contemporâneo, ao circuito de festivais nacionais e internacionais, às salas de cinema de perfil autoral, aos circuitos culturais e às plataformas digitais.

A estratégia prevê circulação inicial em festivais, seguida de lançamento em salas de circuito autoral no Brasil e posterior distribuição em plataformas digitais.

Cam 12 · Investimento 21:15:44

Como entrar no projeto.

O projeto está aberto a patrocínio, investimento direto, coprodução e outras modalidades de participação compatíveis com a produção audiovisual, a serem estruturadas de acordo com a origem dos recursos e o modelo de viabilização adotado.

O orçamento detalhado, o plano de captação e os demais documentos do projeto são disponibilizados mediante contato com a produção.

Vamos conversar.

Kukuta Studio
Copacabana · Rio de Janeiro · Brasil

Um filme sobre um muro, sobre o que ele separa, e sobre o modo como olhamos para o outro lado.

PELE · Kukuta Studio · 2026