PATUÁ

Longa-metragem · ficção Rio de Janeiro, anos 1990 Em desenvolvimento Kukuta Studio

Patuá

O colar ganha vida e voz, e é ele quem narra a jornada.

Um colar sagrado atravessa a cidade e diferentes mãos até chegar àquele a quem foi prometido — e conta, em primeira pessoa, a travessia.

Desenho a carvão do colar sagrado: um cordão fechado de pequenos discos escuros empilhados, com duas contas retangulares mais claras nas laterais e um nó de cordão embaixo.

A premissa

Quem narra não é gente

Um patuá — colar de caráter sagrado, ligado a práticas religiosas de matriz afro-brasileira — é preparado num terreiro de subúrbio dedicado ao culto de Nanã Buruquê. A partir dali começa um percurso que não se revela de imediato: o colar tem um destino a cumprir, e vai cumpri-lo.

O colar tem consciência simbólica e não interfere: testemunha. É ele quem atravessa — os outros passam. Passa por trabalhadores informais, frequentadores de bar, moradores de regiões populares. É trocado, perdido, reencontrado. Cada passagem abre um fragmento de vida urbana — trabalho, sobrevivência, sociabilidade — enquanto ele permanece como presença constante e silenciosa.

O patuá acumula as experiências de quem o carrega. É esse acúmulo, e não um protagonista, que costura o filme.

Desenho a carvão de um pescador em pé numa canoa de madeira, lançando a tarrafa sobre a água parada de uma lagoa, com o mangue e suas raízes ao fundo.

Sinopse

O corpo que atravessa

Paralelamente ao percurso do objeto, corre a história de um homem branco, de classe média, que, caminhando pela Tijuca, encontra por acaso um conhecido e é convidado a visitar um terreiro em celebração. Movido por curiosidade, aceita, e se desloca até uma área periférica da cidade.

Ao chegar, se depara com um ambiente que lhe é completamente estranho. Percebe de imediato sua condição de corpo deslocado, atravessado por olhares e por uma sensação de não pertencimento. Ainda assim, permanece. Ao sair para comprar bebidas num estabelecimento próximo, vive uma situação de tensão ao se perceber como o único indivíduo fora do contexto social predominante — e adota uma postura inesperada que altera a dinâmica ao seu redor, atenuando o estranhamento inicial.

De volta ao terreiro, durante um rito conduzido pelo líder religioso, é anunciado que Moacyr receberá um colar. Não lhe são revelados o momento, a forma nem o agente da entrega. O filme sustenta esse enigma como motor: percorre o tempo e as circunstâncias que culminam no aparecimento do patuá — e, mesmo depois do encontro, deixa a natureza do objeto em aberto.

O que o filme investiga

Sincretismo, preconceito e o subúrbio carioca

É disso que o filme trata. Ao adotar a perspectiva do patuá, ele assume um ponto de vista incomum — nem de dentro, nem de fora, mas atravessando —, e é isso que permite encarar raça, classe e fé sem transformá-las em tese.

Desenho a carvão de mãos montando o colar de contas sobre uma mesa de madeira, à luz de vela, entre cuias de barro e ervas secas.

Sincretismo

O terreiro de Nanã Buruquê não é cenário: é a origem do objeto e a lógica que rege seu percurso. O sagrado aqui não está separado do cotidiano — está dentro dele.

Desenho a carvão de uma mão segurando o colar de discos escuros e baixando-o na palma aberta de outra mão, de pessoas diferentes.

Preconceito

Quem pode entrar onde, quem é olhado como estranho, quem é olhado como ameaça. O objeto passa por mãos que a cidade trata de maneiras muito diferentes.

Desenho a carvão de uma rua de subúrbio carioca: bar de esquina com cadeiras de plástico, fios de luz, caixas d'água e o morro de casas ao fundo.

O subúrbio carioca

Entre bairros centrais e regiões suburbanas, a cidade organiza quem encontra quem. O percurso do colar atravessa fronteiras que as pessoas raramente cruzam.

Proposta de direção

Realismo observacional, narração concreta

A narração do patuá é direta e concreta — nada de lirismo explicativo. A estética visual privilegia a observação dos espaços e das pessoas do Rio, com atenção particular ao subúrbio. A montagem é o lugar onde as trajetórias humanas se conectam através do objeto.

Quatro obras orientam o tom e a estrutura do filme — cada uma por um motivo distinto.

  • O Amuleto de Ogum Nelson Pereira dos Santos · 1974 A linhagem brasileira: um objeto de proteção de matriz afro-brasileira tratado como cultura viva, na periferia do Rio, sem folclore e sem exotismo.
  • Au Hasard Balthazar Robert Bresson · 1966 O princípio de estrutura: uma testemunha que atravessa donos sucessivos, acumula o que vê e não interfere no que acontece.
  • O Violino Vermelho François Girard · 1998 A narrativa costurada pelo próprio objeto: episódios que atravessam mãos e territórios e que só ele conecta.
  • Atlântico Mati Diop · 2019 A aposta central: o sagrado tratado como literalmente real dentro de um filme realista, sem nenhuma marca de fantástico — a mesma luz, a mesma câmera, o mesmo mundo.

Narração

A voz do patuá é de Moacyr Luz

Quem narra o filme, em primeira pessoa, é o objeto — e o objeto fala com a voz do sambista Moacyr Luz. É uma escolha de timbre e de repertório: a mesma voz que canta o Rio há décadas conduz a travessia do colar pelo subúrbio.

Moacyr Luz também assina a supervisão de roteiro. A semente da história partiu de uma experiência que ele viveu e cedeu ao projeto, formalizada em termo de autorização com memorial descritivo — que assegura à produtora plena liberdade de adaptação e recriação ficcional. O filme é ficção, e não biografia.

Desenho a carvão de mãos tocando um cavaquinho, com figuras sentadas em volta de uma mesa ao fundo, pandeiro e copos.

Estágio do projeto

O que já está firmado

  • Argumento registrado Concluído Fundação Biblioteca Nacional, Escritório de Direitos Autorais — registro nº 966.043, livro 1.887, folha 292. Autoria de Beatriz Bergallo.
  • Direitos sobre a narrativa-base Concluído Termo de autorização e cessão firmado com Moacyr Luz, com memorial descritivo integrante.
  • Equipe principal Definida Direção, direção de fotografia, direção de arte e produção executiva já atribuídas.
  • Roteiro Em desenvolvimento Escrita a partir do argumento registrado, com supervisão de Moacyr Luz e consultoria especializada em Umbanda, história e representação cultural.
  • Captação Em curso Inscrições em editais públicos de fomento em andamento, em paralelo à busca por patrocínio, coprodução e investimento privado. As vias de entrada estão detalhadas mais abaixo.

Ficha técnica

Quem faz

Argumento
Beatriz Bergallo
Roteiro
Elir
Direção
Elir
Fotografia
Elir
Direção de arte
Luca Barata
Narração
Moacyr Luz — voz do patuá
Supervisão de roteiro
Moacyr Luz
Montagem e som
Mutante Produções
Produção
Beatriz Bergallo
Produção executiva
Kukuta Studio
  • Elir Direção, roteiro e fotografia Começou na música e migrou para o audiovisual. Dirigiu dezenas de videoclipes, documentários e especiais musicais, entre eles África no Horizonte, realizado no Senegal, e as séries documentais Música Para Ver e Highway. Seu primeiro longa, Lonely People, venceu como Melhor Filme na escolha do público no FICC 2025.
  • Beatriz Bergallo Argumento e produção Carioca, bacharel em Artes Cênicas, mais de 20 anos no audiovisual. Dirigiu e produziu documentários, mais de 50 videoclipes e especiais musicais — entre eles o Especial Música Para Ver, com Moacyr Luz. Idealizou e apresentou as séries Música Para Ver e Highway — Manual Prático de Sobrevivência na Estrada. Passou mais de dez anos em projetos sociais no Complexo da Maré, ensinando cinema e artes. Escreveu o argumento e atuou em Lonely People.
  • Kukuta Studio Produção executiva Produtora carioca, em Copacabana. Realizou Lonely People (2025), que estreou no circuito RioFilme, nos cinemas Estação NET Rio e Cine Santa Teresa, e venceu Melhor Longa pela escolha do público no FICC.

Viabilização

Vias de entrada e cronograma

As vias de entrada não são excludentes: leis de incentivo, editais públicos, coprodução e aporte direto. O orçamento estimado, distribuído por etapa, está em anexo de acesso restrito.

Orçamento detalhado — acesso restrito. A distribuição do orçamento por etapa e o valor total do projeto estão em anexo protegido por senha. Abrir anexo de orçamento →

Cronograma — 16 a 18 meses
EtapaDuração
Desenvolvimento6 meses
Pré-produção3 meses
Filmagem20–25 diárias
Pós-produção5 meses

Circulação

Público e distribuição

O filme se dirige ao público adulto interessado em cinema brasileiro contemporâneo, aos festivais, aos circuitos culturais e às plataformas de streaming.

A estratégia prevê circulação inicial em festivais nacionais e internacionais, seguida de lançamento em salas de circuito autoral no Brasil e posterior distribuição em plataformas digitais.

Contato

Para conversar sobre o projeto

O dossiê completo, o argumento registrado e o orçamento detalhado são enviados sob demanda.

Fale com a produção


Patuá · Kukuta Studio — material de apresentação para captação de recursos. Argumento registrado na Fundação Biblioteca Nacional sob nº 966.043.